sábado, 20 de junho de 2015

Palavras ao vento

    Pensar, as vezes dói, nossas vidas são tão complexas e ao mesmo tempo tão simples...
Queria um mundo diferente deste que temos, que as pessoas pudessem se contentar apenas com o que tem, que houvesse paz, amor e bondade, que as pessoas nunca, jamais humilhassem um irmão por sua diferença, mas que todas as diferenças fossem aceitas e vistas como uma dádiva, Será que ainda temos chance? Pois estamos nos tornando cada vez mais individualistas, Eu me pergunto,,, Qual o sentido de estarmos aqui então, Porque tanto egoísmo, Porque todos esses sorrisos tão frios e mentirosos?
     Máscaras, todos usamos máscaras em todo o tempo, as vezes para esconder uma tristeza ou medo, ou para esconder a ira, o ódio, mas sempre as usamos, creio que apenas nos despimos delas quando nos olhamos no espelho, aquele momento que a pessoa que mais te conhece está te olhando e refletindo sobre tudo o que você é, não tem como esconder, nem disfarçar pois nos conhecemos, sabemos nossos medos e fraquezas, então o que somos para o mundo? Quem somos afinal? Será que fomos feitos dessa forma, ou o mundo nos obriga a agir assim? Palavras e palavras que nunca serão endereçadas a ninguém, mas são simplesmente jogadas ao vento...

Resultado de imagem para se olhando no espelho

sábado, 13 de junho de 2015

Homenagem a Vovó

Ah, a vida... Quando penso nela na sua totalidade eu me perco, sim, me perco, porque não há nada tão simples e ao mesmo tempo tão complicado; As pequenas coisas, as grandes coisas, aquelas que são insignificantes e as que são notórias.
      As vezes me recordo da infância, momentos, palavras, aromas... era tudo tão bom, as vezes ruim... Pequeninos detalhes dos quais me enchem o coração quando os trago de volta a memória. Normalmente família é composta por um pai uma mãe e seus filhos, mas a minha foi uma mãe e uma avó... Eu me lembro das surras, dos carinhos, e das palavras sussurradas, sim tudo assim, eramos pobres, mas não pobres como hoje... pobres mesmo... as vezes só tinha o arroz e o feijão, e as vezes não tinha, mas nosso quintal era rico em verduras, a vovó sempre plantava o que podia e era assim que viviamos, As vezes quando eu não queria comer, meu tio misturava o feijão com bastante farinha de mandioca até ficar uma pasta, então ele cortava em cruz como se fosse uma pizza, A verdade é que eu nunca gostei do sabor, mas comia tudinho, por que era a minha pizza e era só minha......... Laaarga a meninaaaaaa!!!! Era a vovó gritando com ele, pois ele sempre me importunava até eu chorar, e a vovó ficava muito brava e corria atras dele, (suspiro) mas dez minutos depois eu já estava ao redor dele de novo, porque amava estar perto dele.
     Nossa família era "grande", Era a minha mãe, a vovó, e os meus tios, na época as coisas eram muito difíceis pois minha sustentava toda a casa sozinha, meu pai?... Não o conheci, ele desistiu da vida ainda muito jovem, eu tinha apenas dois anos de idade, mas para mim não fazia diferença, pois minha mãe sempre desempenhou muito bem os dois papéis.
     O tempo passou, e eu cresci muito depressa, cresci do meu jeito, no meu mundo, da minha forma, mas meu coração sempre foi totalmente voltado para minha família, sofremos muito, com os problemas de drogas dos meus tios, com as prisões deles, as brigas de rua, e as visitas constrangedoras da policia em nossa casa................................... O tempo passou mais uma vez e começamos a colher os frutos das vidas desregradas dos tios, Meu querido e amado tio Paulinho se foi, e antes dele, dois, e depois dele, mais um. A vovó já velhinha e doente (por causa dos longos anos que fumou), se fechou, trancou seu coraçãozinho com toda a dor e ficou só pra ela, mas podíamos notas a tristeza da sua alma..........
       Eu me casei com uma pessoa incrível, que faz valer a pena cada dia ao seu lado e me mudei, E a vovó foi ficando mais doente, eu sempre me preocupava com ela, pois ela era muito importante para mim, quantas vezes a levei no médico, as vezes no frio, e eu só tinha uma motinha, então tinha que ser assim mesmo, começamos o tratamento com um médico especialista para o caso dela, mas com muitas dificuldades, de levá-la em todas as consultas por causa do meu trabalho, infelizmente não encontrei muita ajuda dos meus familiares nessa missão, e como ela tinha muita falta de ar, eu pedi a médica que lhe prescrevesse o oxigênio para que ela usasse continuamente, porém a médica queria fazer um tratamento alternativo, uma bombinha que costuma mais de RS300,00, e como não podíamos pagar tivemos que esperar que viesse pelo SUS, e levou muito tempo para que ela chegasse, quando finalmente  ela chegou, fiquei muito entusiasmada pois tinha certeza que seria de grande valia, e com isso manteria minha avozinha viva por mais algum tempo, porém ela não estava conseguindo usá-la, pois era um medicamento muito forte, e seu estado estava agravado.
     Na quarta feira, recebi a ligação de que ela não estava nada bem, então a levei ao Pronto Socorro Municipal, lá ela ficou todo o tempo tomando oxigênio, e ficamos em torno de três horas, Lá nós conversamos muitíssimo, eu sempre segurando o nó na garganta para não chorar, pois não queria que ela me visse triste, mas eu estava muito aflita pelo seu estado, e ela.......... Ah!!!!! Minha querida avó era incrível sempre com aquele sorrizinho nos lábios, preocupada com cada um que chegava passando mal, muito meiga, e muito alegre..... Em um dado momento, enquanto esperávamos o atendimento, ela me disse que não se importava se chegasse a hora dela, pois já havia vivido muito e já era suficiente, e eu, claro, angustiada, pedia para que ela não dissesse aquilo pois me magoava demais a idéia de perdê-la, (estou muito emocionada)............
    É claro que o médico que a atendeu não fez muita coisa, passou uma medicação e nos mandou de volta pra casa, só advertiu na necessidade dela usar o oxigênio. No dia seguinte bem cedo tentei marcar uma consulta para ela com sua médica (pneumologista), a recepcionista disse que como era urgente poderíamos tentar um "encaiche", Mais que depressa liguei para o meu marido e pedi para que a buscasse pois eu queria tentar de qualquer jeito, como eu estava no trabalho, ele me ligou para avisar que estava quase chegando até o local da consulta, pois eu ia acompanhá-la, fui a pé mesmo, pois era muito perto, Quando eu cheguei no ambulatório, ao longe vi ela descendo do carro com meu esposo, vi o quanto ela estava com dificuldades para andar e fiquei nervosa, Corri para falar com a recepcionista que já haviamos chegado, então ela me disse que não teria com fazer a consulta, porque não tinha vaga, foi bem na hora que a vovó estava entrando, com toda aquela dificuldade, com as mãozinhas roxas pela falta de oxigênio em seu pulmões, então não me segurei, desabei em choro, eu sabia que minha avó não iria suportar, e chorei muitíssimo, quando a vovó me viu chorando, ela se compadeceu de mim, e disse pra mim não ficar triste, a recepcionista vendo meu desespero disse para aguardarmos que a médica iria atendê-la, e aguardamos mais umas duas horas, e novamente conversamos bastante, foi difícil para mim vê-la daquela forma, mais foi bom estar com ela aquele tempo, pegando nas mãos dela e olhando em seu olhos todo o tempo... A médica finalmente me deu a autorização para que ela usasse o oxigênio domiciliar, eu fui embora muito feliz, por um momento me despreocupei, e comecei a pensar quanto seria maravilhoso ela não ter mais crises de falta de ar, pensei no quanto ela viveria muito melhor, e terminamos mais um dia.
      No dia seguinte, sexta feira, fui trabalhar normalmente, fui almoçar em casa e voltei, Após uns vinte minutos que eu já estava no trabalho, meu primo chegou chorando, então levantei depressa com medo do que eu iria ouvir, então ele me disse, Havia acontecido, quase naquela hora, minha querida havia partido, aquela notícia veio como ferro em brasa direto no meu coração, e fez uma marca tão dolorida e grande, Eu não conseguia acreditar, não era possível que aquilo estava acontecendo, eu cheguei tão perto, tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, fomos para a casa dela, e quando entrei, a vi deitada em sua cama, seu corpo sem vida, parecia que estava dormindo, foi a pior coisa que já aconteceu na minha vida, eu me culpei muito por ter demorado, por ter esquecido algumas vezes, me culpei e chorei muitíssimo, no dia seguinte despedimos dela pela última vez, e foi grande a dor, e tem sido grande, comecei a pensar no sentido da vida, e não encontrei muitas respostas, comecei a pensar no tempo precioso que perdemos, correndo atras de vento, sim, vento, pois tudo o que conquistamos é vento, pois um dia quando chegar a nossa hora não vai passar de pura vaidade...
    A minha querida se foi em torno de meio dia, soube que foi muito rápido, simplesmente Deus a levou de uma forma suave, para longe daquele corpo mortal que lhe causou tanto sofrimento, sem dor, hoje tento me convencer que o importante é que ela está bem agora, mas nem sempre consigo entender isso, eu não tive tempo de me despedir dela, mas tive tempo para conversar com ela, nos dias que antecederam sua morte,
   Agora, ela é uma lembrança muito doce, porém muito viva, lembro-me de cada detalhe, de sua voz, de seus movimentos, e de nossos momentos juntos, A saudade, tem apertado muito, mas tento superá-la, com a convicção que eu a verei algum dia novamente.....